terça-feira, 7 de julho de 2009

Lisa Simpson e bugs

Ontem assisti mais uma vez o episódio dos Simpsons em que eles vão para a Austrália. O enredo começa com a Lisa dizendo ao Bart que a água da descarga do vaso gira em um sentido no hemisfério norte e outro no hemisfério sul. O Bart duvida e a família vai acabar na terra dos cangurus.

Isto foi escada para uma das melhores piadas que vi nos Simpsons, que é quando o Homer vai às lágrimas quando dá descarga no vaso da embaixada americana na Austrália e vê que existe um equipamento para 'fazer a água da descarga girar no sentido americano'. Mas também ajudou a propagar a crença popular nisto, que é completamente falsa. O efeito Coriolis devido à rotação da Terra é muito tênue para ser percebido em condições de dia-a-dia em nossos vasos, se fazendo sentir em fenômenos de escala maior como ciclones.

Ou esta figura aí parece com seu vaso?

Para quem tem curiosidade esta e outras crenças estão descritas no livro "The Book of General Ignorance", de John Lloyd e John Mitchison. Uma das melhores é a que diz qual é o 'verdadeiro' número da besta - que é 616, e não 666 - e depois conta a estória da linha de ônibus 666 de Moscou, cujo número foi trocado para não coincidir com o de Belzebu. O novo número: 616!

Outro caso interessante é o da origem do termo bug para indicar problemas em computadores. Todos conhecem o caso do inseto (bug) encontrado no ENIAC, mas o termo bug já era utilizado bem antes no contexto de problemas em máquinas. Foi usado por exemplo por um jornal da época reportar o trabalho de Thomas Edison, que "ficou acordado nas duas últimas noites procurando bugs em seu fonógrafo". O termo bug aparece com seu significado moderno na edição de 1934 do Webster's.

Ou seja, o bug do ENIAC foi um caso no qual a metáfora virou realidade. E o Bart no final das contas estava certo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Em nome de Deus, vão!

Lendo no momento o livro "Speeches that changed the world", presente de um amigo, me deparei com um daqueles textos que parecem atemporais. É o discurso de Oliver Cromwell quando dissolveu o parlamento inglês em 1653. Veja a tradução de alguns trechos e veja como poderia ser transportado para o Brasil atualmente:

"É uma satisfação para mim dar um fim ao assento de vocês neste lugar, que vocês desonraram pela seu desprezo por qualquer virtude e sujaram pela prática de todos os vícios; vocês são uma tripulação desunida, e inimigos de qualquer forma de governo; vocês são um bando de mercenários infelizes (...) e como Judas traíram o seu Deus por um punhado de dinheiro; existe ao menos alguma virtude que vocês ainda possuem? Existe ao menos algum vício que vocês não possuem?

(...) Vocês se tornaram odiados por toda a nação; vocês foram colocados aqui pelo povo para endereçar os seus problemas, mas se tornaram o seu maior problema. (...) Eu ordeno portanto que vocês saiam imediatamente deste lugar; vão; vão embora! (...) Levem aquele cetro brilhante e tranquem as portas! Em nome de Deus, vão!"

Bom, o novo parlamento por ele instaurado também não durou mais do que 8 meses. É claro que por trás do discurso existia a sua própria agenda não de todo altruísta, mas que é um bom desabafo isto é.