quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A queda dos matemágicos da bola

E o Flu se livrou do rebaixamento, contrariando os prognósticos de todos os "matemáticos". Tem que usar parênteses para diferenciar dos matemáticos de verdade, homens (e mulheres) da ciência.


Ora, como um indivíduo pode afirmar de antemão as chances de um resultado de um jogo de futebol? Acham que futebol é que nem jogo de dados e de roleta? Qualquer torcedor com  mais experiência sabe que uma partida de futebol minimamente equilibrada é um evento caótico, onde pequenos detalhes podem fazer toda a diferença. É o famoso SE. SE aquela bola entrasse, SE o juiz desse aquele pênalti, etc. 


Também no futebol o fator psicológico é importantíssimo. Não faz a menor diferença você estar otimista ou não no resultado do lançamento de um dado, mas em um jogo de futebol a força de vontade tem papel crucial.


Mas nada que os matemágicos não resolvam. De suas contas e processos mirabolantes saem as probabilidades de cada jogo, como coelhos saem das cartolas. Depois, simulações bastam para determinar as chances. O resultado final vale tanto quanto a base, nada.


As únicas chances que eles conseguem calcular é a do resultado do cara ou coroa antes de jogo.

Aos que dizem "mas as chances de o Flu ser rebaixado eram 98% mesmo, estava muito difícil" eu pergunto: por que não 99%? Ou 96%? Ou 90%? Ninguém discorda que era difícil, mas a quantificação dada não tem valor nenhum.


Espero que o "fator Fluminense" seja agora considerado e este tipo de análise perca espaço na mídia - que já há algum tempo não dá atenção ao que a Mãe Dinah diz sobre futebol, mas é só a informação vir de um "matemático" para parecer ter credibilidade.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Matemática e futebol

Agonia para o meu Fluminense. Segundo os matemáticos do ramo o tricolor tem grandes chances de cair este ano. O Tristão Garcia diz que as chances são de 97%, o Oswald Souza diz que são 96%. Talvez o 1% do Oswald seja por conta de sua torcida.

De qualquer forma sempre me intrigou como os matemáticos do futebol chegam nestes números. No coração do cálculo destas chances deve estar a probabilidade do resultado de cada jogo restante do campeonato. Até onde eu sei este palpite por jogo nunca foi divulgado, temos apenas o número final.

Resolvi então eu mesmo fazer a conta. E mais, permitir que qualquer um gere os seus números, baseado no palpite de cada jogo. Assim você pode ajustar as probabilidades em função de o Fabinho estar em campo ou não.

No site http://fluminense.footstats.net é possível colocar para cada jogo que falta do Flu a probabilidade de vitória do Flu, empate ou derrota. Depois são mostradas as chances de o Flu terminar o campeonato com cada número de pontos.

Algumas conclusões:
  • considerando probabilidade 30% de vitória de algum time e 40% de empate, ou seja, jogo equilibrado em casa e fora, as chances de o Flu terminar com mais do que 42 pontos são de 3.7%
  • se com o mesmo cenário acima considerarmos que o Flu em casa tem 80% de chances de vencer, contra 10% de empate e 10% de derrota, o Flu pode terminar com mais do que 42 pontos com 50.8% de chances!
Ou seja, se o Flu se impuser em casa e fizer jogo duro fora as chances são consideráveis. O problema não é a matemática, mas o futebol mesmo.

Um detalhe importante é que do jeito que está ainda é necessário 'chutar' quantos pontos serão necessários para se safar. Para calcular as chances de rebaixamento de fato é necessário colocar as probabilidades também dos jogos dos adversários diretos nesta luta inglória. As chances de eu incluir isto no site crescem junto com as vitórias do Flu daqui em diante.

PS1. hoje vi um site que divulga as probabilidades consideradas, ao menos para os próximos jogos. Para o Flu x Inter ele considera 29.3% para o Flu, 23.7% para empate e 47% para o Inter (assim mesmo, com precisão de décimos). Sou mais o Flu. Para o Flu x Santo André ele colocou 55% para o Santo André, 25.3% para empate e 19.7% para o Flu. Com números assim não me admira já estarmos 'rebaixados' há várias rodadas.
http://chancedegol.com.br/br09.htm

 

SQLite3::SQLException woes

Yesterday was a long night, trying to find out what was generating a

"SQLite3::SQLException: unable to open database"

in my Vista/Cygwin/Ruby on Rails setup. That error occurred only when trying to modify the database.

After googling a lot I found suggestions to check if both the database file and the directory where it is located have write permissions for the user. That was OK in my setup. I could use the database normally from command line, so the file was not corrupted.

The solution: opening a new cygwin shell executing the "Run as administrator" option and calling Webrick from this shell. Even though I was executing previously from an user that has administration rights that didn't work. It seems that sqlite3 needs to write in some directory, distinct from that where the database file is located, where only the real Administrator can write.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Lisa Simpson e bugs

Ontem assisti mais uma vez o episódio dos Simpsons em que eles vão para a Austrália. O enredo começa com a Lisa dizendo ao Bart que a água da descarga do vaso gira em um sentido no hemisfério norte e outro no hemisfério sul. O Bart duvida e a família vai acabar na terra dos cangurus.

Isto foi escada para uma das melhores piadas que vi nos Simpsons, que é quando o Homer vai às lágrimas quando dá descarga no vaso da embaixada americana na Austrália e vê que existe um equipamento para 'fazer a água da descarga girar no sentido americano'. Mas também ajudou a propagar a crença popular nisto, que é completamente falsa. O efeito Coriolis devido à rotação da Terra é muito tênue para ser percebido em condições de dia-a-dia em nossos vasos, se fazendo sentir em fenômenos de escala maior como ciclones.

Ou esta figura aí parece com seu vaso?

Para quem tem curiosidade esta e outras crenças estão descritas no livro "The Book of General Ignorance", de John Lloyd e John Mitchison. Uma das melhores é a que diz qual é o 'verdadeiro' número da besta - que é 616, e não 666 - e depois conta a estória da linha de ônibus 666 de Moscou, cujo número foi trocado para não coincidir com o de Belzebu. O novo número: 616!

Outro caso interessante é o da origem do termo bug para indicar problemas em computadores. Todos conhecem o caso do inseto (bug) encontrado no ENIAC, mas o termo bug já era utilizado bem antes no contexto de problemas em máquinas. Foi usado por exemplo por um jornal da época reportar o trabalho de Thomas Edison, que "ficou acordado nas duas últimas noites procurando bugs em seu fonógrafo". O termo bug aparece com seu significado moderno na edição de 1934 do Webster's.

Ou seja, o bug do ENIAC foi um caso no qual a metáfora virou realidade. E o Bart no final das contas estava certo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Em nome de Deus, vão!

Lendo no momento o livro "Speeches that changed the world", presente de um amigo, me deparei com um daqueles textos que parecem atemporais. É o discurso de Oliver Cromwell quando dissolveu o parlamento inglês em 1653. Veja a tradução de alguns trechos e veja como poderia ser transportado para o Brasil atualmente:

"É uma satisfação para mim dar um fim ao assento de vocês neste lugar, que vocês desonraram pela seu desprezo por qualquer virtude e sujaram pela prática de todos os vícios; vocês são uma tripulação desunida, e inimigos de qualquer forma de governo; vocês são um bando de mercenários infelizes (...) e como Judas traíram o seu Deus por um punhado de dinheiro; existe ao menos alguma virtude que vocês ainda possuem? Existe ao menos algum vício que vocês não possuem?

(...) Vocês se tornaram odiados por toda a nação; vocês foram colocados aqui pelo povo para endereçar os seus problemas, mas se tornaram o seu maior problema. (...) Eu ordeno portanto que vocês saiam imediatamente deste lugar; vão; vão embora! (...) Levem aquele cetro brilhante e tranquem as portas! Em nome de Deus, vão!"

Bom, o novo parlamento por ele instaurado também não durou mais do que 8 meses. É claro que por trás do discurso existia a sua própria agenda não de todo altruísta, mas que é um bom desabafo isto é.